quinta-feira, 16 de julho de 2009

O meu copo de plástico.


Pois todos todos os que eu tive foram de vidro como os usuais,e se espatifaram em pequenos pedaços e apesar da multiplicação de suas unidades,quando não em conjunto de nada me serve,de absolutamente nada.
Quando anoitece gosto de fazer uma retrospectiva comentada do meu dia.E tem vezes que durante o dia eu me divirto tecendo retrospectivas comentadas de como foram os meus sonhos...que na verdade se baseiam,sem que eu saiba,na retrospectiva do meu dia...que por sua vez é povoado por resquícios dos meus sonhos...
Tenho 14 anos e me chamo Ernani,acho que o último que tiveram coragem de batizar nesse mundo de Raféis e Pedros que vivemos.Moro com o meu tio no alto de uma imensa colina somente povoada por nós e em certas tardes só por mim.Meus pais morreram em um acidente de helicóptero e meu tio me trouxe pra morar aqui porque havia prometido isso ao meu pai.Não na beira da morte mas na beira de uma mesa de sinuca.
-Germano você não presta...
- Se eu não presto você presta muito menos.
-Isso é bem verdade meu irmão.
-Mas saiba que se eu morrer quero que você cuide do meu filho.
-Eu?Mas eu nem tenho onde morar,estou de favor na tua casa faz dois anos.
-Ora,arruma uma casa!
-Mas onde?
- Sei lá,no alto de uma colina,foda-se.Você sempre arruma problema hein,putaquiupariu!

E cá estou eu,no alto desta colina,nem que país é eu sei.Nem o ano.Nem o dia.
Só sei do meu tio e dos filmes dessa televisão sem cor que meu tio me obriga a assistir enquanto ele fabrica medonhas dentaduras.

Boa noite Azerbaijão.Reflexões de um ilusionista carioca./primeiro momento.


"parente só é bom em porta-retrato"


A porra do telefone me toca lá pras duas,duas da madrugada.Era Julius e só havia de ser Julius,ou ele ou ou algum parente morrendo.Embora naqueles tempos já não havia sobrado ninguém,você sabe como é parente: sempre tem uma tia que inventa de morrer do nada.Ano passado mesmo teve uma.Me ligaram mais ou menos a mesma hora,"Tia Candinha".
Me liga a prima bunduda que morava em Sergipe e estava no Rio para cuidar da mãe :"Tia candinha","Tia candinha do bolinho de chuva"...morreu de pneumonia.Foda-se minha Tia candinha,seus bolinhos queimados e sua filha rabuda...
A nossa trupe regressava ao nosso lugar de origem no centro do Rio de Janeiro,era tudo muito organizado.Os palhaços vinham todos de Copacabana,eram irmãos e moravam num buraco calorento na rua Toneleros e por isso aderiram ao nome risível : "Los Hermanos Tonelero".Trabalhavam em troca de comida,cocaína,roupas e bebida(tudo do mais barato.)No trailler do lado,o novo domador de leão.Gastamos o dia inteiro passando todo o espetáculo para ver onde encaixaria melhor o seu número medíocre,que de tão capenga não se dava nem ao luxo de uma simples dança com o leão.Não fazem mais domadores como o velho Barbosa,que aliás morreu assim dançando com o leão.Seu Barbosa,o único que me entendia nessa merda aqui.
Odeio esse leão e suspeito que o novo domador seja viado.Pela tarde,enquanto penteava teleco, o meu parceiro de show e organizava minhas pombas em seus devidos lugares,eu olhei torto pro leão.Como passei a olhar desde que o puto deglutiu meu amigo Barbosa...(minha única fonte de conversa por aqui). Barbosão!Sujeito culto.Já muito respeitado em muitos circos do mundo no fim da carreira.Não me esqueço de seu sorriso amigavelmente banguela...
Ainda fitando com imensa saudade do Barbosão uma foto nossa eu fecho o meu trailler e caminho na rua noturna indo ao encontro de Julius no Azerbaijão,que na verdade se chamava "Hotn'ight's",mas era chamado Azerbaijão por mim e por Julius sem um devido motivo,apenas para podermos usar essa palavra com mais frequência em nossas vidas.Passo por um grupo de vagabundas mal-vestidas com tops coloridos e me recordo da contorcionista,que bebeu todo o meu uísque,me sedou no fim e foi dar pro Orlando.*(dono do circo)Não a crucifico.Fosse eu uma mulher gostosa como ela é faria o mesmo.A diferença está no fato de que ela se entrega a Orlando para poder abrir o espetáculo e ficar assistindo filmes antigos,ao menos a vagabunda é culta.
Eu faria melhor....

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Homonímia

Homonímia segundo a gramática da língua portuguesa, que consultei no google quando apenas salpiquei lá "h-o-m-o-n-í-m-i-a",é a relação entre duas ou mais palavras que, apesar de possuírem significados diferentes, possuem a mesma estrutura fonológica - HOMÔNIMOS.

As homônimas podem ser:

  • Homógrafas heterofônicas ( ou homógrafas) - são as palavras iguais na escrita e diferentes na pronúncia.
    Ex.: gosto ( substantivo) - gosto (1.ª pess.sing. pres. ind. - verbo gostar)
    Conserto ( substantivo) - conserto (1.ª pess.sing. pres. ind. - verbo consertar)

  • Homófonas heterográficas ( ou homófonas) - são as palavras iguais na pronúncia e diferentes na escrita.
    Ex.: cela (substantivo) - sela ( verbo)
    Cessão (substantivo) - sessão (substantivo)
    Cerrar (verbo) - serrar ( verbo)

  • Homófonas homográficas ( ou homônimos perfeitos) - são as palavras iguais na pronúncia e na escrita.
    Ex.: cura (verbo) - cura ( substantivo)
    Verão ( verbo) - verão ( substantivo)
    Cedo ( verbo ) - cedo (advérbio)

Agora, saindo um pouco da sétima série :

Quando busquei na internet a letra detalhada de uma música que gosto "é nenhuma".O sistema de procura que todos amamos me exibiu um material bizarro.Que fez acordar em mim a disparidade,diferença,insemelhança (essa é neologismo!) que existe na música chamada homogêneamente : nordestina.
Aliás,indo mais além.O meu desejo neste post é mostrar o rombo de qualidade existente entre DUAS MÚSICAS COM O MESMO NOME.
Algo mais forte do que dois amigos chamados Pedro.Ou duas cidades chamadas Campos.Ou dois diretores cinematográficos chamados David.... apresento-lhes: "é nenhuma" e "é nenhuma".
A primeira composta por um "pensador" carioca para um grupo de Axé Music bahiano(dã??) e a segunda por um "fuleiro" nordestino para ele mesmo e seus amigos fuderosos.

É Nenhuma *

Chiclete Com Banana

Composição: Gabriel O Pensador

É nenhuma meu rei, é nenhuma é nenhuma é nenhuma
É nenhuma meu rei, meu rei, meu rei, meu rei, meu rei
É nenhuma é nenhuma é nenhuma
Se alguém te disser que o baiano é um bicho preguiçoso
É papo furado de povo invejoso, meu rei, não vá acreditar
Se alguém te disser que o baiano é um sujeito molenga

cansou aqui?eu já estava exausto no segundo verso.

Não acredite nessa lengalenga, tem alguém querendo te enganar
Tá pensando que o baiano é o que?
Tá pensando que eu não trabalho?

Você vá na Bahia pra ver, ou na casa do baiano pra saber
Que o baiano é massa, o baiano é fera
O baiano trabalha, batalha, não joga a toalha e sacode a galera
O baiano é fera, o baiano é massa
O baiano tem fé, tem raça e sempre faz a festa por onde elepassa
Tá pensando que o baiano é mole? O baiano não é mole não
Tá pensando que o baiano dá mole? O baiano não dá mole não
O baiano não dá mole não, o baiano não dá mole não
O baiano não é mole não, o baiano não é mole não



É nenhuma*

Lula Queiroga

Composição: Lula Queiroga / Zé Brown / Lulu Oliveira

Eu sei que é longo o caminho e o tempo incerto
Tanto faz o céu fechado ou o mar aberto
Tanto faz um quilo de chumbo ou
Um quilo de algodão
Tanto faz uma japonesa
Amamentar o filho do alemão
Enquanto a cabeça dorme
O corpo pensa
Cada um regulando a sua crença
Prá beijar a mão que te dá a bença
Tem que ter a espinha firme
E a mente tensa

O tempo é prá pensar , conquistar , prosseguir e viver
Olhar pro lado e tentar entender
O importante é a postura
Que a pessoa assuma
No mais : a diferença é nenhuma
É nenhuma



O rombo é explícito.O triste mesmo é provar que o representante do meu Estado nisso tudo colabora com o lado escuro da força.E com humildade eu peço perdão à cultura brasileira em nome do sudeste,foi mal!

Temos composições melhores sim!

e sobre a música bahiana, eu sugiro que vocês procurem este tópico (axé music) no blog "Mundo Fantasmo" do grande sábio PARAÍBA Bráulio Tavares, recomendado ao lado.

ilustro aqui um pedaço interessante ao discutido neste post.

"Alguns críticos vêem na axé-music uma tendência fascista: ela levaria até o extremo aquela atitude megalomaníaca e autoritária do rock, tão bem dissecada por Roger Waters e Alan Parker no filme Pink Floyd: The Wall, misturada com as danças-de-roda das creches infantis e do programa da Xuxa. Valendo-se do coquetel de hormônios que troveja nas artérias da puberdade, é uma música que em momento algum pára de dar ordens aos seus executantes. A axé-music não tem variação em sua letra porque não pode se dar o luxo de esperar que o público faça aquilo espontaneamente; duvido que ele faça, se não fôr mandado. . Suas letras são massificantes e psicologicamente infantilizadoras. Ela é a trilha sonora de um ritual de acasalamento, combinada com o militarismo da aeróbica e com as brincadeiras-de-roda da primeira infância."

(Bráulio Tavares Mundo Fantasmo)



e paralelamente eu me lembro de algo que eu ouvi em Olinda:

eu -Vocês têm aqui algum problema com os bahianos?

nativo - ôxi negão,eles inventaram o axé...

eu calei.





sábado, 11 de julho de 2009

curta do Anima Mundi.Sessão Curtas 1.Sessão Curtas 4.

eu dei excelente.


Il naturalista.

www.naturalistanimated.blogspot.com

Dix
http://www.youtube.com/watch?v=V7PC1Vx47II

sexta-feira, 10 de julho de 2009

"a estabilidade quem garante?" disse a areia movediça ao pé,canela,perna,coxa,cintura...



Na poesia sem vírgulas, restrições ou grades.
Nos versos sem firúla,sem guardas,gradações ou mérito.
Nas vozes que não se prendem em jaulas.Nos insultos magnéticos que deprimem e entristecem.Nas palavras sinceras.Nas mensagens de texto dos amigos,dos bons amigos.No ápice violento da ascensão do uso de droga na sua vida.No prazerzinho rápido que mora no final de tudo.Nos resquícios de sonhos que passamos a tarde ruminando com esperança.Nos sorrisos cadavéricos de tão lúdicos que há por aí.No bag do aposentado brinquedo (ou juguete caso você seja espanhol)bat-bag.Lá não está o horizonte.
O horizonte cede por debaixo do seu pé
e se seu tato for aguçado,você sem dificuldade alguma poderá senti-lo derretendo e afogando pra baixo do polegar.O polegar do pé.(no mindinho do pé também.)

Você notará se com calma, que desceram junto: O que você queria ser quando crescesse. (pelo peso do que você é quando crescido.) algumas reminiscências de propagandas comerciais dos anos 90(arapuã é um bom exemplo?), bem como algumas gírias (normalmente acumuladas nas palmas dos pés). Tudo vai para um lugar onde os pelos não crescem mais.Onde decepa-se um homem e o membro resurge.Onde os santos andam de sunga e praticam scubadiving acompanhados de modelettes rastafári.Lá,onde a moda da pochete ressurge.Onde ser estudante é honra.Lá,prá onde a imaginação vai buscar mentiras para levar a memória pra cama e dar nó no cérebro do caboclo!

Então saiba onde pisa.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Mister Jude Queen...



"-Senhor Queen,duas palavras sobre Shakespeare.
-Duas palavras?Bicha Louca e Cérebro de Anfetamina cósmica."

êta filme bom do caralho.
"I'm not there"

segunda-feira, 6 de julho de 2009

poema-diálogo pr'Alice Morena Abdala Barbosa.

poema-diálogo prAlice Morena Abdala Barbosa.


-Antero?
-Diz aí Anley.
-Você conhece aquela nega de rosa?
-hm...
-Eu conheço.
-Eu não sei.
-Alice Morena Abdala Charmosa.
- hm...acho que agora sei.Sei porque alguém me disse.
- é a Alice.
- Como é bom olhá-la.
- Charmosa...
- é a nega filha do Barbosa.
- não goza?
- é sim. Mas que chatice!
- Alice!...Ai se Alice me visse...
- O ballet a fez longilínea, a mãe lhe pôs feições árabes.
- arabescos, meia-ponta, rodopios pelos ares?
- é.
-Alucina-me Alice ao longe.
- Alucina-me a mim também.
- alucina. Alopra. Aleluia Alice!
- ...que bom que ela não é evangélica...
- e no Leblon Galopa com jeitão de miss.
- Aleluia ao longe, Aleluia ao ipod d’Alice.