terça-feira, 16 de junho de 2009

Poema inspirado em uma personagem de Murilo Rubião que tomou vida bem na frente dos meus olhos.

(A essa altura Margarerbe já estaria lambendo os dedos lambuzados de chocolate ou limpando-os no roupão estampado de vermelho,sua cor predileta.A porca.) -Murilo Rubião em O bloqueio.

Margarerbe,
do conto "O bloqueio".



nestes abruptos rodopios
do mundo,
Margarerbe saltou-se
do conto de Rubião.
Exageradamente,como descrita
a fêmea maldita me lançou ao chão!

Veio,e ao me ver,
me veio de olhos,peitos e coração.
Sentou as tetas sobre minhas pestanas.
um tubarão sem barbatanas...
Sorriso alargado como
a cara,
olhar de coruja,
sebosos cabelos.
Eu me invergonho,
ela não pára.

visitei por dois mêses aquele decote e em três destes mêses
vivi pesadelos.

Malditas e tesas tetas bem (in)tensionadas,
sua gula me engolia
em goles que eu não sentia
perdi a mandibúla sonhando mamadas...

afora o pavor de seu
congelante e quente
bafo de pasta de dente
Margarerbe era loura,
jovem e atraente...
se tivesse sorriso de gente.

deixo o cotovelo escorregar
e a ladra sequestra-me o braço.
Romântica,me leva a passear
mas eu não arredo meio passo...

se agiganta por cima de mim
quase todo.
Em seus olhos Rimbaud faz efeito:
enxuga os óculos,coça pigarro
e me abraça por meio dos peitos.

criatura caricaturada,
evangélica de lânguido porte
solta no mundo real
sua intensa gula carrega má sorte

domingo, 14 de junho de 2009

a quem devo cobrar??


é junho,o blu-ray nasceu e seu dvd já deve estar perguntando para sua vitrola e seu vídeo cassete se a vida no marasmo tem alguma vantagem.A imprensa deu super certo,a xerox deu super certo,o cigarro prospera mesmo com restrições e controle sobre a sua propaganda.A internet abriu mais espaços para nosas ambições e vaidades.O presidente dos E.U.A é negro,o fim do mundo está novamente próximo,enfim a humanidade está ainda regridindo pelo progresso,mas...onde está o teletransporte?
Uma idéia conhecida nossa já ha algum tempo,familiar.Nego tem tanta idéia inusitada,surpreendente,caótica,subversiva,cara,problemática,devastadoras,supérfluas ...mas e quanto as idéias já conhecidas que precisam de uma realização,nada a menos?Deve ser platônicamente irritante vir ao mundo como uma idéia óbvia,conhecida,imitada,chegar ate a virar clichê!E no entanto nunca se concretizar,nunca existir pra valer,um sonho do coletivo humano nunca tornado real. {ainda}

Aí começo a questionar determinados fatos.A ideia de teletrasnportar-se,tão cômoda,perfeita,eu até classificaria como necessária à vida humana.[mesmo a uma sociedade que nunca chegou a conviver com ela concluída,como fato.]É uma ideia que certamente já instigou muitos estudiosos e cientistas,como foi que em anos de ciência nenhum deles obteve ainda este sucesso?

a quem devo cobrar?

Por causa destes pensamentos,certas dúvidas se movimentam por mim.A desconfiança ameaça o meu modo de enxergar as coisas.E me dá respostas...neste mundo das Grandes Corporações...a invenção de um teletrasnporte causaria reboliço.Os mesmos que tremem de medo da pirataria,e querem mamar os lucros das propriedades intelectuais e tiram do ar blogs culturais com violência cibernética,esses pagariam o quanto pudessem para que a invensão do teletransporte fosse abafada ou até mesmo impedida.Pense nos senhores do petróleo sem vender gasolina,as empresas de ônibus,os estacionamentos,os flanelinhas,os taxistas,os cobradores de ônibus,os moto-boys/taxis,o emprego a domicílio ...e um sem número de exemplos...seria o teletrasnporte uma revolução bastante libertária.
Talvez por isso,algo contra o qual os poderosos estejam lutando.
O mais importante para o homem é que ele invente e se supere.Quanto mais idéiais concretizadas mais evoluídas as próximas ideias.
Ideia concretizada é fato.

Guindaste a rigor




Eu quero um trem de doze vagões
Pra marcar o compasso pois eu vou cantar
Quero dez máquinas de concreto
Porque não gosto de violino
Quero um discurso do Nero
Para fazer contraponto
Doze motocicletas no lugar do contrabaixo
Para reger o conjunto, um guindaste à rigor
E na hora do breque um belo assopro de coca-cola
Ah, ah, ah que cola
A tonalidade é ré sustenido bem claro
Ou mi colorido bemol
Sidomidelamefalasemsirelanemsolfa

Para parceiro na letra
Satanás de babydoll
Ou um camundongo sádico que tem a língua vermelha
E no fim da primeira parte beije a Brigitte Bardal

Mas, ora, veja:
Enquanto eu cantava
O verbo enganado
Com a língua do poeta enrolada no pescoço
Pendurado sem socorro
Já parou de balançar as pernas
Já parou de balançar as pernas
Já parou de balançar as pernas
Já parou de balançar as pernas
Já parou

terça-feira, 9 de junho de 2009

Os Mutantes

só para deixar aqui um salve para minha banda preferida.

sábado, 6 de junho de 2009

Georges Franju em entrevista.


"Voltando ao que eu disse sobre o fantástico,o espetáculo.Eu não gosto,isso não me interessa.Não me emociona e eu não acredito. Não acredito,porque desde criança nunca acreditei em contos de fadas.Eles eram muito chatos.Por outro lado,a realidade me encantava e ás vezes me assustava. Em outras palavras,adoro as imagens que me fazem sonhar mas não gosto que alguém as sonhe para mim."

Georges Franju é o cineasta francês.

Bela paisagem apaixonante da bailarina no metrô.






porta de metrô,

propondo aquele débil samba de cotovelos...


aqui(metrô)se lê jornal.


vagueio vagabundo

da sães pena até copa


figuro sobre as coisas,figuro sobre as cores e figuro sobre a figura do maneta na sociedade episcopal.


ha um lugar vazio e entra no vagão

um sujeito,os dois se olham mas apesar da clara empatia

vem a gorda e senta


e a vida prova sua excelência em desalojar

comprovamos


eu,sujeito agarrado em barra também.

eu porém agarrado mais em meu caderno.Quase que com a boca..

entra uma bailarina

elas costumavam me emocionar mais...


c'est copá.(problemas de digitação me levaram ao francês)


uma gringa sem soutien atravessa a rua de copa

o mar sem soutien não.( e deus que me livre como diria minha prima avó albertina)


o preço da mad é a única

de suas piadas que me barbariza.

sigo,

meto no shuflle,confio no shufle...oh Wes Montgomery..dubadu.

domingo, 31 de maio de 2009

Distinções ou ( A dos ursos)


A dos ursos...

Para iniciar uma reflexão,o primeiro funcionário do zoológico dirigiu-se com a cara cheia de dúvidas para o segundo.

(este que amamentava um filhote de coelho)



Gumercindo - Há neste mundo,gente para caralho,ou não?

Miranda -De certo que sim.

Gumercindo -Pode se querer que todas gostem das mesmas coisas da mesma forma?

Miranda -A unanimidade é uma utopia.

Gumercindo -Então,realidade é um conceito elástico,assim como certeza,gosto e opinião.

Miranda -Não queira começar pinimba alguma.(ele vai saindo para a segunda cela de animal como quem foge do amigo,e ergue um jabuti)

Gumercindo -Vamos lá,me ilumine.

Miranda -Iluminar?Eu te conheço...você dormia em toda aula de vagalume.Quer é bagunçar o coretto!Quer saber?Quando um não quer dois não brigam...mudemos de assunto.

Gumercindo -Tudo bem.(pegando outro o coelho na cela ao lado e amamentando o) Agora escute,vinha eu de ônibus para cá hoje pela manhã,quando vi algo que me balançou a vida toda...

Miranda -Hã.

Gumercindo -Só um pouco,meu telefone está tocando.(verifica e vê que não está) engraçado,eu sempre ouço esta porcaria tocar,até quando ela está no modo silêncioso eu sinto umas vibrações nos bolsos e pernas.E o pior é que quando toca mesmo,ou vibra,eu sou ruim de ouvir.Ouço só quando não toca...que maldição.

Miranda - Insanidade mesmo.

Gumercindo -Como eu ia dizendo.Eu estava vindo pra cá no 438 quando vi no meio da rua as tais luzes espalhafatosas de quando tem alguma autoridade por perto.

Miranda -Autoridade,polícia?

Gumercindo -Sim,autoridade polícia,mas mais significativo ainda...ambulância.

Miranda -Acidente é foda quando tem.(concentra-se em outra tartaruga)

Gumercindo -Pois é,e foi perto de uma blitz da lei seca.

Miranda -Rapaz,eu vi que pessoas paraplégicas trabalham nestas blitz...Fico pensando se não estão fazendo algum trabalho voluntário,vai que causaram danos...a terceiros em acidentes com bebida no transito.

Gumercindo -Deve ser isso mesmo.Ao menos eles mergulham encarando os seus traumas...impedindo que outros escorreguem no buraco onde eles escorregaram.


(Miranda medica alguns jabutis,volta para a cela dos coelhos.Gumercindo vai até os jabutis)


Gumercindo -e o que eu vi perto da blitz fez a maioria das pessoas de dentro do ônibus se levantar para tentar achar algum corpo estendido no asfalto.Não é horrível?

Miranda -Nego só queria saber o que é que tinha acontecido.

Gumercindo -Poxa,era acidente...estávamos caçando corpo!Caçando medo.Buscando olhar no rosto de uma desgraça,um desconfortozinho uma sacudidela n'alma.

Miranda-Você estava?

Gumercindo - Eu.Estava.

(parece que Miranda para tudo que está fazendo.Ele sai da cela,e ergue as mangas da camisa e a bainha da calça.A próxima cela para onde se dirige parece pantanosa.Ele respira fundo e vai entrando no lago imerso entre hipopótamos enquanto fala com paciência)

Miranda - morte pra você.É coisa séria?Só de falar nela?És capas de brincar com este conceito?Pensar sobre mortos-vivos,espíritos brincalhões,pós-mortem decepcionante?

Gumercindo -Sou bem.Bem o sabes.

Miranda -Então.Você só queria ter um encontro rápido com o real.Ver a realidade passando na rua de noite,pela janela de um ônibus.Como se visse um ator famoso que interpreta num sei quem em num sei que filme...você,que só via o personagem.Que só conheçe a morte de ouvir falar na vida,ou pela morte dos seus queridos quando isto vem a acontecer.(submerge,volta e dá verduras aos hipopótamos)Queria vê-la pela rua,que mal há em sentir terror?

Gumercindo - O cinema vive disto.

Miranda -O teatro vive disto.Nós vivemos disto.A segurança vive disso,o respeito vive disso...

(é chegada a hora e Gumercindo entra em sua última jaula.A dos ursos)

Miranda-Viste algum corpo?

Gumercindo(.Enquanto adentra a sela)-Não vi nada.No início,quando vi o poste caído,os estilhaços pelo chão,as famílias chorando.Eu só conseguia pensar em achar um corpo estendido...eu via as pessoas tremendo com o calor do momento que para mim não passava de banalidade.Uma dona,dessa eu não me esquecerei fácil,se descabelava com os olhos agarrados no céu deixando a entender que era mãe da vítima.O motivo das suas lágrimas já não estava ali provável...eu me senti pouco sensível,mas minha curiosidade brigava vorazmente com meu temor de ver...o morto.

(neste momento um dos ursos morde com violência extrema o braço esquerdo de gumercindo,este grita se desepera.Atormentado,aturdido,assustado.A cena é horrível,o sangue jorra,Gumercindo ensanguentado vai ao chão.O urso ainda está agitado.Miranda quando vê o que está acontecendo vai saindo da lagoa pantanosa,mas os hipopótamos se juntam e o peso só faz Miranda chafurdar)

Miranda - Estou indo Gumercindo.

Gumercindo -Miranda...agora eu entendo.O contato furioso com a existência que o Drummond falava...agora só...quando eu estou prestes a perder esse meu contato.Estou perdendo artérias,sangue,memórias.Miranda eu estou me esquecendo das coisas...só não vou me esquecer se me safar vivo de que estarei vivo,mas sem um braço!

Miranda -Eu...não...aguento...eles estão me esmagando!E sufocando nesta lama.Eu também consigo sentir o peso lancinante de existir....Se eu apenas pudesse, como você ouvir o telefone tocar quando não toca,sentir vibrar quando não vibra...eu estou sentindo as coisas como elas são!

Gumercindo (com os olhos horrívelmente arregalados)- Só agora eu entendo lou reed.

Miranda -Vou me sentir um merda se eu continuar vivo,sabendo que você morreu.Ou que perdeu um braço...ou que anda ouvindo Lou Reed!

Gumercindo - Há ou não gente para caralho no mundo?(enfraquecendo e sumindo)Realidade não é um conceito elástico.
Miranda - Não queira terminar pinimba alguma.(ploft com o corpo na lama.)



*contarei esta história sempre que me pedirem :" aí conta aquela...A dos ursos"